DESCONCERTO
ainda que soubesse com precisão
o peso de um quilo fracionado em trilhões de esferas celestiais
na forma de uma bola perfeita ainda
ainda que
ainda que não haja
não há
não haverá reticências no meu falar
fruta doce você
doce de leite e amendoas coradas de caramelo
e gostosuras guardadas nos frutos do paraíso
ter você a meu lado todo dia toda hora
que besteira não é dor
é saudade
chega dessa coisa
dessa vara de marmelo
e pescaria de nada sonhos rio abaixo
e outros beijos e carícias e pores-do-sol poentes
e beijos e tuas mãos
tuas súplicas e ladainhas e gritos gemidos gozos
e sonoras gargalhadas invadindo
a boca da noite coroada de pétalas e pérolas
na força da nossa união louca união doce união
experiência nuclear na carne a reverberar pelo universo
ondas se espraiando nos mares da lua
que bobagem é só o tremor da alma na carne
o resvalar de uma fímbria de luz
sobre a tua pele acesa na escuridão
e desejos de pântanos profundos
no entanto sei
é só amor
desejo de carregar em nossas bocas a hóstia da nossa comunhão
nada mais
lamber e engolir o vinho derramado dos teus desvãos
do teu ser corpo de ventos amarelos
e girassóis beijando ninfas e sátiros
à beira das fogueiras de estrelas
deitados sobre o disco de luz da via-láctea
e eu iria além amor
pra resolver esta parada nada certa de você ficar longe de mim.
8/2008
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