terça-feira, 31 de dezembro de 2013


HAY CAI

Mais vale um hay kay
Que cai vivo
Que um hay kay
Que cai sem ter existido.

31.12.2013


BRISA

Olho para o céu azul de nuvens brancas molhadas;
O vento é bom,
Tá suave
Vou empinar quadrado com minha linha de carretilha.

31.12.2013

POETA

Única urgência nesta única existência:
Fazer da vida resumo num único verso.

31.12.2013

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CHUVA MORENA

Todas as partes de você em mim
Em mim feito cheiro de chuva
Impregnado pelo ar
O cheiro da tua boca
O cheiro dos teus cabelos
O cheiro da tua flor
Que em flor rubra flor se desabrocha
Em pétalas desdobradas
Encarnada morena
O teu cheiro inteiro molhado
Inteiro o teu cheiro em mim.

E lá fora
Derramando
Água de chuva.

28.12.2013




ESCONDERIJO

Com você eu me perco
Me perco de mim mesmo
Me perco inteiro
Dos pés à cabeça
De leste a oeste
De norte a sul
O tempo inteiro
Eu me perco
Viajante sem bússola
Pensando você.

E só me acho quando me descubro,
Meu coração escondido em você.


28.12.2013




TINTA FRESCA

"Mestre"


Não me chames de mestre.
Mestre é aquele que sabe fazer o certo e o faz ensinando na prática 
o que é isso para o próximo.
Além de errante, errado, é o que sou.

27.12.2013
ESTADO DE SER

Tem colhedoras de lágrimas aqui.

30.12.2013







OCTÓGONO
Para o lutador brasileiro Anderson Silva

Você entra de pé
Decidido
Pronto
A vitória pronta pra você.

E assim é no octógono da vida:
Você entra de pé
Vai com toda força
Máxima fé
Pronto para uma vitória.

E assim se entra
E a vida se enfrenta.

Mas é a vida,
Não tem marmelada nessa porra,
Você entra de pé
E às vezes sai deitado,
De maca,
Quebrado.

E ela,
A vida,
Implacável,
Destemida,
Segue.


30.12.2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

SAUDADE

Não existe fundo de mar que possa caber minha saudade
E lágrimas.

20.12.2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

POETA

19 de dezembro de 1916:
Nascia um poeta
Poeta na mais verdadeira
E clara acepção da
Palavra da lama levantada
Manoel de Barros.

19.12.2013


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

REENCONTRO

Tinha pensado tantas palavras;
Mas não direi nada.
Só vou fazer sentir o coração
Tum-tum-tum
Olhar para os olhos dela
Abraça-la com força
E beijá-la.

18.12.2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


FOGO FÁTUO

Puta que o pariu!
Como a vida é curta!

E você só descobre isso
Quando

25.02.2013



AUTO ESTIMA

Penso:
É preciso evitar ser ainda mais ridículo.

Contrapenso:
Não estaria eu sendo mais ridículo ainda
Que se não evitasse sê-l0?

16.12.2013


domingo, 15 de dezembro de 2013

ESTAÇÃO

O mais que vivemos é a rotina. Que revolução nos libertará, ainda que momentaneamente, da servidão da rotina?

15.12.2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

TINTA FRESCA

Nossa inocência é o que rola à beira de um buraco negro.

12.12.2013
ROTATÓRIA

Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Não posso falar que te esqueci
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Não posso falar que te esqueci
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora

12.12.2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

LINHA

Destino estranho o meu:
Não sei quem sou
Não sei de onde venho
Não sei para onde vou.

09.12.2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

VIRTUAL

Contei todos os teus beijos
Todos os beijos que me enviaste pelo vento
E eram muitos
Beijos.

07.12.2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

MAR E SINA

Em papel te escrevi
Em papel te escrevo
E mais escreverei
Palavras quentes
De anéis, pulseiras, brincos,

E brinco igual fosse você
E eu
Não mais crianças
Mas da mesma idade
E falássemos  tatuagens
Times de futebol
Verde branco preto

E a tua cor
A cor que te veste
E que ninguém tem
Mel derramado em terra queimada
Flor de carne em lábios molhados
Olhos que pedem e prometem

Vem
Me dá teu beijo
E te darei de mim o que é sonho
E entre nuvens feito fumaça de tabaco escapa
E já é sonho madura fruta que és
Inteira telúrica mulher
Do vasto mar o sal
Do céu doce sina
Te desvestir e desvendar por inteiro

E escrever com minha língua
Em partes linha por linha
Ao redor de tua perna e virilha
Desenhar em você minha língua
Em tuas coxas descrever-me em você
Espartilho de palavras desatar
Em gozo pura delícia gritar tuas carícias.

05.12.2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

POETA

Não há dias tristes.
Há dias em que a gente se engana de caminho e,
Pior,
Há dias em que além de se enganar de caminho,
A gente escreve versos e rimas ruins.
Aí não tem jeito,
A coisa fica triste mesmo.

04.11.2013


TINTA FRESCA

Morreu,
Não assina mais.
Nem paga.
Mas continua devendo.

03.12.2013



TINTA FRESCA

Só assina quem 'tá vivo.

03.12.2013



TINTA FRESCA

Assinei outra hoje.

03.12.2013
CONDENAÇÃO

Esquisita existência.
Passar a vida do berço ao túmulo amarrados ao bem.
E ao mal.
E vice-versa.

03.12.2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

VERSOS BASTARDOS

Ide, versos,
Tomai asas,
Sede ventos
Livrai-vos de mim.

01.12.2013

SAUDADE

É o coração da alma que dói.
O de carne se mói.

01.12.2013

SAUDADE

Foi dormir e lembrava;
Acordou morto de saudade.

01.12.2013
SAUDADE

Pode escrever:

Último ato
Penúltima cena:

Coitado
Morreu de saudades.

01.12.2013




SAUDADE

Há dias em que parece que a gente nasceu para morrer de saudades.

01.12.2013

TINTA FRESCA

Numa boa
Sem piloto
Na terra carro não corre
No céu helicóptero não voa.

01.12.2013

sábado, 30 de novembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

MÁQUINA DE LAVAR

Mas a máquina de lavar está parando
Estacou
Terminou
Ainda mais uma vez a velha máquina teve fôlego
Ainda mais uma vez com precisão
Até o último instante com força
O sublime ato e movimento de centrifugar,

Que é como me sinto agora,
Só que num jogo de contra forças
Em que ao mesmo tempo que sou arremessado
Como se estivesse preso à cauda de um cometa
Por outro lado sou esmagado para dentro
Com se no fundo do oceano estivesse pregado,
E o que por um lado liberta
Por outro aprisiona
E o que era para ser harmônica rotação
Em confuso girar se transforma
Não sei se a revolução dentro da translação
Ou ao contrário.

Abri a máquina de lavar,
Olhei para dentro e fundo vi o abismo
E nele de braços retesados e cabeça afundei
As roupas encolhidas umas às outras grudadas,
Agarradas ao limite do paredão cósmico
Quietas, congeladas
Igual um dos muitos deuses houvesse ordenado,
Até aí, 
E não mais.

E é assim que sinto
Como se estivesse em dentro uma centrífuga
E dela em pleno vigor e girar fizesse parte
Um coisa como que uma osmose às avessas
Membrana que se entranha 
Se engana
E se estranha em outra membrana,
E todo movimento me puxasse para dentro e para baixo,
E por cima e por todos os lados apertado;
E tudo para.
Estaca.

E imagino no tabuleiro o jogo dos reis
Deuses, potestades, forças do além-éter e do fogo,
Tronos, querubins,
Uma nuvem de poderes a distribuir ordens umas
Contra ordens outras,
Qual fosse a região em que habito um circo de rodeio,
Ao domador
Obediência,
(Às vezes rosnando).

Tiro a roupa da máquina

Dentro do cesto jogo o universo,
E ao vento estendo no ar peça por peça
Camisa calça toalha meia lenço lençóis
O universo separado em pedaços.

E acima
Sobre a cabeça
O grande céu
E nele ejetado o sol no seu ofício de secar as roupas no varal.
E dentro
Todos os outros.

11.11.2013







UMBIGO

Sim, tenho umbigo,
E estou em meio a todas as manifestações do Universo,
Manifestações inimagináveis,
Haja visto,
 Aquela manifestação à qual estou diretamente ligado
Aquela que faz reconhecer-me a mim mesmo
E ao outro em espelho como ser humano.

11.11.2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

TINTA FRESCA
Saraus da vida, poetas, sal da vida

Sei um longo caminho de mim nos caminhos da poesia
E desse caminhar conheci muitos, mas muitos mesmo, poetas;
E alguns poucos, muito poucos, Poetas.

E ainda caminharei da poesia muitas verstas
E assim como antes ainda conhecerei muitos poetas
Os néscios que se auto intitulam poetas
E poucos, muito poucos,
Que somente o tempo proclamará Poetas.

08.11.2013


SOPRO

Parece que há momentos n'alma
Sobre a qual a calmaria acasala ventos;
É isso que sinto agora:
Não é uma paz absoluta e repleta,
Que isso existe
Mas sinto tanto dizê-lo
Não aqui.

E por estar me sentindo assim agora
Não há em mim o sentido de matar
E nenhuma vontade em mim me move a isso
E nenhuma mosca agora mataria
Nem mataria qualquer barata
Eu não mataria agora nem uma sombra
Nem aranha nem cobra nem rato
Nem nenhum animal peçonhento.

Assim como me encontro agora
Não mataria nem homem a balas
Nem feriria de palavras uma mulher
Pela simples causa de me sentir humano
E é quase uma alegria me saber humano assim.

Porque há ternura em meu coração humano
E é silêncio de vento casado à calmaria.
Ainda que seja só agora
Alegria.

08.11.2013

MULHER E CELULAR


Tempos estranhos. Percebo claramente que meus mais primitivos temores de macho, ou seja a concorrência para com o adversário -outro macho-, em relação à fêmea que me acompanha, não se me apresenta mais como um fator de ameaça iminente. 
Temo, -e me vejo atormentado porque perco largamente terreno-, é pela desleal concorrência com o celular/smart/tablet dela. Ele é imbatível em se atravessar na relação, em todos os momentos possíveis: siiim, aqueles, inclusive. E é tudo ali, ó, nas suas barbas. Cheguei a pedir, "não venha com ele".

04.11.2013
CONDICIONAL

Porque as coisas são assim
Exatamente como são
E cada coisa está no seu lugar.

Porque se fosse de outro jeito
As coisas não estariam como agora.

As coisas
Se fossem como eu queria
Não seriam o que são agora,
Sim, seriam outra coisa
Seriam o que não são agora.

Porque as coisas são assim.


01.11.2013
COSMOS

É o que somos:
Uma massa borbulhante
Desmanchando-se em calda ardente e brilhante
Aqui e ali
Em bolhas
A protuberar-se em células vivas
A vida.

11.11.2013
TINTA FRESCA

Vive tomando café e quer ficar calma e cagar cor-de-rosa. A vida não é uma utopia. Nem big brother. Menos ainda fazenda. E jamais será aquilo que só você quer que seja.

09.1102013





APRENDIZ

Não acredito em nada
Em nada absolutamente em nada do que vejo creio,
Pois tudo o que vejo
Num átimo de tempo
Num abrir e fechar de olhos
Desaparecerá.
O chão, o mar
O sol, a lua
As estrelas, via láctea, constelações
Galáxias
Tudo quanto vejo desaparecerá.

Não acredito em nada do que vejo.

25.11.2013

MULHER

Dei-te o nome
Ishah;
Tremeu o céu
E a terra tremeu.

25.11.2013


CADEIA, POLÍTICO E BANDIDO


Estranhos pensamentos me ocorrem às vezes, como agora ao ler este jornal e ler que, de dentro da cadeia, José Dirceu mandou o recado: "E o Lula, não vai falar nada?"e, dia seguinte,
Lula abriu a boca e a  língua falou em defesa dos presos daquele partido pelo escândalo do episódio chamado mensalão. Grande exercício e demonstração de poder desse Dirceu.
E de continuar pensando e lendo a matéria lembrei da máxima, "assim como é em cima é embaixo", e meu pensar começou a gerar em pensamento a ordem das hierarquias, e numa destas hierarquias, na parte de cima, vi, Dirceu, Genoíno, Delúbio, etc, cada um à sua maneira cumprindo o que lhe cabe cumprir na prisão, inclusive dar ordens.
E mais embaixo, no beliche de baixo, vi outra hierarquia, de outra ordem, mas servindo ao mesmo sistema do capital, todos cumprindo o que lhes cabe cumprir dentro da prisão, inclusive dar as ordens: Marcola, Carambola, Beira Mar,  e etc.

25.11.2013

HISTÓRIA UNIVERSAL

Estava pensando num destes muitos e multi universos que há neste universo, onde há muitos criadores, muitos, incontáveis legiões de deuses criadores e poderes.
Certo dia um deles cria um plano diretor para o seu sítio, divide-o em reinos, e a dois de seus, assim ditos, mais diletos filhos, encarrega de conquistar um daqueles reinos criados, um pequeno reino nos confins de uma de suas muitas moradas, um reino nomeado por terra, onde os dois, -os filhos-, ali instalados, fazendo uso e meios de todas as ferramentas possíveis, disputam o máximo de bolinhas de gude que for possível juntar em suas cestas. Dos irmãos, a um foi dado ser conhecido como Jesus, a outro, foi dado o nome de Lúcifer.

25.11.2013
REFLEXÃO

Somos tudo todos a mesma coisa.
Tudo neste universo, para que um viva, outro tem que morrer. Em todas as ordens e hierarquias que formam e informam este universo visível /oculto, esta é a Lei Máxima.
Em todos os planos e contra planos deste universo, alguma coisa só tem sobrevida se tiver a capacidade de transformar  outra coisa em si mesma, gerando o que chamamos de energia
vital.
É uma cadeia que gira à volta de si mesma, a si mesma se impulsionando para o existir. 
Talvez daí o  mito de um Deus incriado. Se há mais de um, são "os deuses", se são duplos, foram criados, se criados, são muitos. Sim, os deuses. E é uma cadeia em que ela própria se auto alimenta com o cuidado absoluto de cada um dos elos para não se romper.
Desde o mais ínfimo bóson, passando pelo núcleo atômico, moléculas, partículas visíveis, a água, a terra, o sol, as estrelas, constelações, galáxias que estão presentes do começo ao fim deste universo, tudo está encadeado para que tudo se resuma a um incalculável, mas aferível, condicionamento numérico, que é a mais primitiva de todas as leis que regem esta manifestação, qual seja, tudo quanto morre se transforma, em escala universal, em outra coisa, que em verdade é tudo e todas as coisas numa só, o caldo do universo entranhado no inteiro reino da morte.

23.11.2013



TINTA FRESCA
Juízo Final

A vara com que cutuco é tão longa quanto minha prudência em relação às serpentes e à hipótese de, em hipótese alguma, jamais vir a julgar alguém que me seja semelhante, se bem que certos semelhantes , não obstante a óbvia semelhança, em nada se assemelhem a  mim. E vice-versa. Então, humano.

23.11.2013

TINTA FRESCA

Os deuses -o nosso, inclusive-, não são cruéis; são criativos demais.

25.11.2013

TINTA FRESCA

Digo: tua cabeça deve saber algo que eu não sei.
Poderia tê-lo dito e di-lo-ei:
Ó deuses, por certo sabeis coisas que não sabemos.

25.11.2013

domingo, 24 de novembro de 2013

POETA

Estou carpinteiro 
De  versos sonho
Esquadro entalho 
Rima  na linha da sina 
A sonhar sonhos
Orgias de poemas 
Em estar a dormir e acordado
Pago de ser artífice de volutas 
No carme fazer a dobra de  ventos 
De coisas ser mago encantador 
De palavras domador de estrelas 
E serpentes brotando de galáxias
Verbo que se semeia no tempo
E se colhe 
Azeite pão e vinho
Alento frutado de luz.

Há quase um vislumbre de poesia
Em aqui querendo fazer morada
Aqui.

Às vezes sonho que sou poeta.

24.11.2013

RETA

Até o fim.

24.11.2013
CURVA

Só vou por onde eu quero.

24.11.2013
DUAS

A curva é uma reta rebelde.

24.11.2013
O BEIJO

Beijar você
É igual ser beija-flor
A beber nos beijos teus 
O sumo da flor o mel
Do perfume a delícia
Do amor.

24.11.2013

sábado, 23 de novembro de 2013



TINTA FRESCA
Universo (este)
Fragmento

Somos tudo todos a mesma coisa: cinzas de estrelas.

23.11.2013


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ESBÓRNIA

A vida é uma grande, intensa, complexa e desbragada
Esbórnia.

25.11.2013.


MULHER ALIADA

Tenho alguma, 
Todas com graça, força e poder.

Mas, de todas,
A mais grandiosa é minha mãe.

23.10.2013











SOLITÁRIO

Muitos.
Tanto quantos não se possa contar.
Na madrugada ouvindo acalantos de saudade.

23.10.2013
A ÁRVORE DO BEM E DO MAL
Breve reflexão

Não é o bem ou o mal que importam. O que importa é o que resulta
do conhecimento do bem e do mal. São duas coisas distintas num só
fruto.
Quer dizer então que comer do fruto, ter conhecimento do bem e do
mal foi tão somente um acidente?
O bem e o mal, há que se concluir, já existiam antes do homem, esta-
vam lá prontos para serem consumidos, ou, melhor dizendo, prontos 
para serem "reconhecidos". E o foram, uma vez que isso fazia parte 
do plano piloto. O bem e o mal desvendados por um casal de huma-
nos infantis e inexperientes, haja visto, foram enganados por uma 
consciência superior, aquela "serpente" que morava nos dois. E agora
em nós todos, de forma duplicada.
Então a árvore do conhecimento do bem e do mal não é simplesmente
uma alegoria bíblica, é uma realidade viva e cruel, plantada em meio 
a todos nós e ao derredor de toda a humanidade. O bem e o mal são
um atmosfera e dela respiramos e vivemos. Para o bem e para o mal.
Para o bem ou para o mal.
Somente do conhecimento do bem e do mal é que pode resultar a prá-
tica do bem e do mal. Não fosse o plano ser seguido e o fruto consumi-
do, estariam lá nalgum  lugar bem guardados e protegidos os frutos 
do bem e do mal. Mas o bem e mal foram feitos para o homem, assim
como o homem foi feito para o mal e para o bem.

23.10.2013

ORAÇÃO

Deixa eu ir,
Ó senhor,
Deixa eu ir 
Ó senhora!

Não há mais nada pra fazer aqui.

23.10.2013

CAMINHOS III


Olá, amiga,
Ainda mais uma vez me foi dado escrever-te.
Ainda desta vez venho mais uma vez a você,
Escuta-me:
É madrugada em meus pensamentos
E é madrugada em todas as coisas,
Neste exato momento em que o silêncio dorme
Cães a latir nas distantes distâncias,
Meu pensamento a pensar o que talvez não deva ser pensado,
Ou ainda,
Meu pensamento está a pensar o que não pode ser pensado.

E nestas vezes,
Em que creio estar pensando errado,
Errante me deixo levar pelos caminhos
Os mesmo de sempre
E tantas vezes de outras vezes já trilhado.

As mesmas perguntas em outras transmudadas,
Que em verdade são aquelas mesmas velhas perguntas,
As mesmas de sempre de outra forma perguntada,
E sempre, tanto de um jeito como de outro
Jamais respondidas.

E não contente de buscar o que inexiste,
Ou o que talvez possa existir além do limite,
Escalavro palavras,
Em água e sal lavo cada palavra,
Como se cada palavra fosse exposta ferida,
E a folha de papel em branco por escrever
Da vida o ensaio para o abismo.

E ainda que haja dor neste estar abismado com as coisas,
E minha alma se retorça e soluce o inconsolável,
Ainda que veja com a clareza de um raio de sol perfurando a retina,
Sou como um viajante cego de bússola perdida no deserto,
Em  meio ao deserto a me descobrir náufrago de mim mesmo
Oceano.

E de estar assim, em meio ao deserto,
Chove;
Assim como chove lá fora e as águas correm,
Chove ventos de areia em meu pensamento em dentro em mim
E penso,
Um homem pode morrer sufocado por um grão de areia.

E penso em todas as verdades que existem ao meu redor,
E são tantas as verdades,
Tantas e tão verdadeiras quanto no mar e no deserto os grãos de areia.

E nenhuma de todas as verdades me serve agora:
Ainda que meu pensamento,

Forrado de véus e tormentas,
A mim me diga o pensamento:
A resposta certa está num único grão de areia.

22.10.2013**