APRENDIZ
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
CHUVA MORENA
Todas as partes de você em mim
Em mim feito cheiro de chuva
Impregnado pelo ar
O cheiro da tua boca
O cheiro dos teus cabelos
O cheiro da tua flor
Que em flor rubra flor se desabrocha
Em pétalas desdobradas
Encarnada morena
O teu cheiro inteiro molhado
Inteiro o teu cheiro em mim.
E lá fora
Derramando
Água de chuva.
28.12.2013
Todas as partes de você em mim
Em mim feito cheiro de chuva
Impregnado pelo ar
O cheiro da tua boca
O cheiro dos teus cabelos
O cheiro da tua flor
Que em flor rubra flor se desabrocha
Em pétalas desdobradas
Encarnada morena
O teu cheiro inteiro molhado
Inteiro o teu cheiro em mim.
E lá fora
Derramando
Água de chuva.
28.12.2013
OCTÓGONO
Para o lutador brasileiro Anderson Silva
Você entra de pé
Decidido
Pronto
A vitória pronta pra você.
E assim é no octógono da vida:
Você entra de pé
Vai com toda força
Máxima fé
Pronto para uma vitória.
E assim se entra
E a vida se enfrenta.
Mas é a vida,
Não tem marmelada nessa porra,
Você entra de pé
E às vezes sai deitado,
De maca,
Quebrado.
E ela,
A vida,
Implacável,
Destemida,
Segue.
30.12.2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
ROTATÓRIA
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Não posso falar que te esqueci
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Não posso falar que te esqueci
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
12.12.2013
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Não posso falar que te esqueci
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Não posso falar que te esqueci
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
Queria falar que te esqueci
Mas não posso
Porque se tivesse te esquecido
Não estaria falando agora
12.12.2013
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
MAR E SINA
Em papel te escrevi
Em papel te escrevo
E mais escreverei
Palavras quentes
De anéis, pulseiras, brincos,
E brinco igual fosse você
E eu
Não mais crianças
Mas da mesma idade
E falássemos tatuagens
Times de futebol
Verde branco preto
E a tua cor
A cor que te veste
E que ninguém tem
Mel derramado em terra queimada
Flor de carne em lábios molhados
Olhos que pedem e prometem
Vem
Me dá teu beijo
E te darei de mim o que é sonho
E entre nuvens feito fumaça de tabaco escapa
E já é sonho madura fruta que és
Inteira telúrica mulher
Do vasto mar o sal
Do céu doce sina
Te desvestir e desvendar por inteiro
E escrever com minha língua
Em partes linha por linha
Ao redor de tua perna e virilha
Desenhar em você minha língua
Em tuas coxas descrever-me em você
Espartilho de palavras desatar
Em gozo pura delícia gritar tuas carícias.
05.12.2013
Em papel te escrevi
Em papel te escrevo
E mais escreverei
Palavras quentes
De anéis, pulseiras, brincos,
E brinco igual fosse você
E eu
Não mais crianças
Mas da mesma idade
E falássemos tatuagens
Times de futebol
Verde branco preto
E a tua cor
A cor que te veste
E que ninguém tem
Mel derramado em terra queimada
Flor de carne em lábios molhados
Olhos que pedem e prometem
Vem
Me dá teu beijo
E te darei de mim o que é sonho
E entre nuvens feito fumaça de tabaco escapa
E já é sonho madura fruta que és
Inteira telúrica mulher
Do vasto mar o sal
Do céu doce sina
Te desvestir e desvendar por inteiro
E escrever com minha língua
Em partes linha por linha
Ao redor de tua perna e virilha
Desenhar em você minha língua
Em tuas coxas descrever-me em você
Espartilho de palavras desatar
Em gozo pura delícia gritar tuas carícias.
05.12.2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
MÁQUINA DE LAVAR
Mas a máquina de lavar está parando
E imagino no tabuleiro o jogo dos reis
Mas a máquina de lavar está parando
Estacou
Terminou
Ainda mais uma vez a velha máquina teve fôlego
Ainda mais uma vez com precisão
Até o último instante com força
O sublime ato e movimento de centrifugar,
Que é como me sinto agora,
Só que num jogo de contra forças
Em que ao mesmo tempo que sou arremessado
Como se estivesse preso à cauda de um cometa
Por outro lado sou esmagado para dentro
Com se no fundo do oceano estivesse pregado,
E o que por um lado liberta
Por outro aprisiona
E o que era para ser harmônica rotação
Em confuso girar se transforma
Não sei se a revolução dentro da translação
Ou ao contrário.
Abri a máquina de lavar,
Olhei para dentro e fundo vi o abismo
E nele de braços retesados e cabeça afundei
As roupas encolhidas umas às outras grudadas,
Agarradas ao limite do paredão cósmico
Quietas, congeladas
Igual um dos muitos deuses houvesse ordenado,
Até aí,
E não mais.
E é assim que sinto
Como se estivesse em dentro uma centrífuga
E dela em pleno vigor e girar fizesse parte
Um coisa como que uma osmose às avessas
Membrana que se entranha
Se engana
Se engana
E se estranha em outra membrana,
E todo movimento me puxasse para dentro e para baixo,
E por cima e por todos os lados apertado;
E tudo para.
Estaca.
E tudo para.
Estaca.
E imagino no tabuleiro o jogo dos reis
Deuses, potestades, forças do além-éter e do fogo,
Tronos, querubins,
Uma nuvem de poderes a distribuir ordens umas
Contra ordens outras,
Qual fosse a região em que habito um circo de rodeio,
Ao domador
Obediência,
(Às vezes rosnando).
Tiro a roupa da máquina
Dentro do cesto jogo o universo,
E ao vento estendo no ar peça por peça
Camisa calça toalha meia lenço lençóis
O universo separado em pedaços.
E acima
Sobre a cabeça
O grande céu
E nele ejetado o sol no seu ofício de secar as roupas no varal.
E dentro
Todos os outros.
11.11.2013
Qual fosse a região em que habito um circo de rodeio,
Ao domador
Obediência,
(Às vezes rosnando).
Tiro a roupa da máquina
Dentro do cesto jogo o universo,
E ao vento estendo no ar peça por peça
Camisa calça toalha meia lenço lençóis
O universo separado em pedaços.
E acima
Sobre a cabeça
O grande céu
E nele ejetado o sol no seu ofício de secar as roupas no varal.
E dentro
Todos os outros.
11.11.2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
TINTA FRESCA
Saraus da vida, poetas, sal da vida
Sei um longo caminho de mim nos caminhos da poesia
E desse caminhar conheci muitos, mas muitos mesmo, poetas;
E alguns poucos, muito poucos, Poetas.
E ainda caminharei da poesia muitas verstas
E assim como antes ainda conhecerei muitos poetas
Os néscios que se auto intitulam poetas
E poucos, muito poucos,
Que somente o tempo proclamará Poetas.
08.11.2013
Saraus da vida, poetas, sal da vida
Sei um longo caminho de mim nos caminhos da poesia
E desse caminhar conheci muitos, mas muitos mesmo, poetas;
E alguns poucos, muito poucos, Poetas.
E ainda caminharei da poesia muitas verstas
E assim como antes ainda conhecerei muitos poetas
Os néscios que se auto intitulam poetas
E poucos, muito poucos,
Que somente o tempo proclamará Poetas.
08.11.2013
SOPRO
Parece que há momentos n'alma
Sobre a qual a calmaria acasala ventos;
É isso que sinto agora:
Não é uma paz absoluta e repleta,
Que isso existe
Mas sinto tanto dizê-lo
Não aqui.
E por estar me sentindo assim agora
Não há em mim o sentido de matar
E nenhuma vontade em mim me move a isso
E nenhuma mosca agora mataria
Nem mataria qualquer barata
Eu não mataria agora nem uma sombra
Nem aranha nem cobra nem rato
Nem nenhum animal peçonhento.
Assim como me encontro agora
Não mataria nem homem a balas
Nem feriria de palavras uma mulher
Pela simples causa de me sentir humano
E é quase uma alegria me saber humano assim.
Porque há ternura em meu coração humano
E é silêncio de vento casado à calmaria.
Ainda que seja só agora
Alegria.
08.11.2013
Parece que há momentos n'alma
Sobre a qual a calmaria acasala ventos;
É isso que sinto agora:
Não é uma paz absoluta e repleta,
Que isso existe
Mas sinto tanto dizê-lo
Não aqui.
E por estar me sentindo assim agora
Não há em mim o sentido de matar
E nenhuma vontade em mim me move a isso
E nenhuma mosca agora mataria
Nem mataria qualquer barata
Eu não mataria agora nem uma sombra
Nem aranha nem cobra nem rato
Nem nenhum animal peçonhento.
Assim como me encontro agora
Não mataria nem homem a balas
Nem feriria de palavras uma mulher
Pela simples causa de me sentir humano
E é quase uma alegria me saber humano assim.
Porque há ternura em meu coração humano
E é silêncio de vento casado à calmaria.
Ainda que seja só agora
Alegria.
08.11.2013
MULHER E CELULAR
Temo, -e me vejo atormentado porque perco largamente terreno-, é pela desleal concorrência com o celular/smart/tablet dela. Ele é imbatível em se atravessar na relação, em todos os momentos possíveis: siiim, aqueles, inclusive. E é tudo ali, ó, nas suas barbas. Cheguei a pedir, "não venha com ele".
04.11.2013
CONDICIONAL
Porque as coisas são assim
Exatamente como são
E cada coisa está no seu lugar.
Porque se fosse de outro jeito
As coisas não estariam como agora.
As coisas
Se fossem como eu queria
Não seriam o que são agora,
Sim, seriam outra coisa
Seriam o que não são agora.
Porque as coisas são assim.
01.11.2013
Porque as coisas são assim
Exatamente como são
E cada coisa está no seu lugar.
Porque se fosse de outro jeito
As coisas não estariam como agora.
As coisas
Se fossem como eu queria
Não seriam o que são agora,
Sim, seriam outra coisa
Seriam o que não são agora.
Porque as coisas são assim.
01.11.2013
CADEIA, POLÍTICO E BANDIDO
Lula abriu a boca e a língua falou em defesa dos presos daquele partido pelo escândalo do episódio chamado mensalão. Grande exercício e demonstração de poder desse Dirceu.
E de continuar pensando e lendo a matéria lembrei da máxima, "assim como é em cima é embaixo", e meu pensar começou a gerar em pensamento a ordem das hierarquias, e numa destas hierarquias, na parte de cima, vi, Dirceu, Genoíno, Delúbio, etc, cada um à sua maneira cumprindo o que lhe cabe cumprir na prisão, inclusive dar ordens.
E mais embaixo, no beliche de baixo, vi outra hierarquia, de outra ordem, mas servindo ao mesmo sistema do capital, todos cumprindo o que lhes cabe cumprir dentro da prisão, inclusive dar as ordens: Marcola, Carambola, Beira Mar, e etc.
25.11.2013
HISTÓRIA UNIVERSAL
Estava pensando num destes muitos e multi universos que há neste universo, onde há muitos criadores, muitos, incontáveis legiões de deuses criadores e poderes.
Certo dia um deles cria um plano diretor para o seu sítio, divide-o em reinos, e a dois de seus, assim ditos, mais diletos filhos, encarrega de conquistar um daqueles reinos criados, um pequeno reino nos confins de uma de suas muitas moradas, um reino nomeado por terra, onde os dois, -os filhos-, ali instalados, fazendo uso e meios de todas as ferramentas possíveis, disputam o máximo de bolinhas de gude que for possível juntar em suas cestas. Dos irmãos, a um foi dado ser conhecido como Jesus, a outro, foi dado o nome de Lúcifer.
25.11.2013
Estava pensando num destes muitos e multi universos que há neste universo, onde há muitos criadores, muitos, incontáveis legiões de deuses criadores e poderes.
Certo dia um deles cria um plano diretor para o seu sítio, divide-o em reinos, e a dois de seus, assim ditos, mais diletos filhos, encarrega de conquistar um daqueles reinos criados, um pequeno reino nos confins de uma de suas muitas moradas, um reino nomeado por terra, onde os dois, -os filhos-, ali instalados, fazendo uso e meios de todas as ferramentas possíveis, disputam o máximo de bolinhas de gude que for possível juntar em suas cestas. Dos irmãos, a um foi dado ser conhecido como Jesus, a outro, foi dado o nome de Lúcifer.
25.11.2013
REFLEXÃO
Somos tudo todos a mesma coisa.
Tudo neste universo, para que um viva, outro tem que morrer. Em todas as ordens e hierarquias que formam e informam este universo visível /oculto, esta é a Lei Máxima.
Em todos os planos e contra planos deste universo, alguma coisa só tem sobrevida se tiver a capacidade de transformar outra coisa em si mesma, gerando o que chamamos de energia
vital.
É uma cadeia que gira à volta de si mesma, a si mesma se impulsionando para o existir.
Talvez daí o mito de um Deus incriado. Se há mais de um, são "os deuses", se são duplos, foram criados, se criados, são muitos. Sim, os deuses. E é uma cadeia em que ela própria se auto alimenta com o cuidado absoluto de cada um dos elos para não se romper.
Desde o mais ínfimo bóson, passando pelo núcleo atômico, moléculas, partículas visíveis, a água, a terra, o sol, as estrelas, constelações, galáxias que estão presentes do começo ao fim deste universo, tudo está encadeado para que tudo se resuma a um incalculável, mas aferível, condicionamento numérico, que é a mais primitiva de todas as leis que regem esta manifestação, qual seja, tudo quanto morre se transforma, em escala universal, em outra coisa, que em verdade é tudo e todas as coisas numa só, o caldo do universo entranhado no inteiro reino da morte.
23.11.2013
Somos tudo todos a mesma coisa.
Tudo neste universo, para que um viva, outro tem que morrer. Em todas as ordens e hierarquias que formam e informam este universo visível /oculto, esta é a Lei Máxima.
Em todos os planos e contra planos deste universo, alguma coisa só tem sobrevida se tiver a capacidade de transformar outra coisa em si mesma, gerando o que chamamos de energia
vital.
É uma cadeia que gira à volta de si mesma, a si mesma se impulsionando para o existir.
Talvez daí o mito de um Deus incriado. Se há mais de um, são "os deuses", se são duplos, foram criados, se criados, são muitos. Sim, os deuses. E é uma cadeia em que ela própria se auto alimenta com o cuidado absoluto de cada um dos elos para não se romper.
Desde o mais ínfimo bóson, passando pelo núcleo atômico, moléculas, partículas visíveis, a água, a terra, o sol, as estrelas, constelações, galáxias que estão presentes do começo ao fim deste universo, tudo está encadeado para que tudo se resuma a um incalculável, mas aferível, condicionamento numérico, que é a mais primitiva de todas as leis que regem esta manifestação, qual seja, tudo quanto morre se transforma, em escala universal, em outra coisa, que em verdade é tudo e todas as coisas numa só, o caldo do universo entranhado no inteiro reino da morte.
23.11.2013
TINTA FRESCA
Juízo Final
A vara com que cutuco é tão longa quanto minha prudência em relação às serpentes e à hipótese de, em hipótese alguma, jamais vir a julgar alguém que me seja semelhante, se bem que certos semelhantes , não obstante a óbvia semelhança, em nada se assemelhem a mim. E vice-versa. Então, humano.
23.11.2013
domingo, 24 de novembro de 2013
POETA
Estou carpinteiro
De versos sonho
Esquadro entalho
Rima na linha da sina
A sonhar sonhos
Orgias de poemas
Em estar a dormir e acordado
Pago de ser artífice de volutas
No carme fazer a dobra de ventos
De coisas ser mago encantador
De palavras domador de estrelas
E serpentes brotando de galáxias
Verbo que se semeia no tempo
E se colhe
Azeite pão e vinho
Alento frutado de luz.
Há quase um vislumbre de poesia
Em aqui querendo fazer morada
Aqui.
Às vezes sonho que sou poeta.
24.11.2013
Estou carpinteiro
De versos sonho
Esquadro entalho
Rima na linha da sina
A sonhar sonhos
Orgias de poemas
Em estar a dormir e acordado
Pago de ser artífice de volutas
No carme fazer a dobra de ventos
De coisas ser mago encantador
De palavras domador de estrelas
E serpentes brotando de galáxias
Verbo que se semeia no tempo
E se colhe
Azeite pão e vinho
Alento frutado de luz.
Há quase um vislumbre de poesia
Em aqui querendo fazer morada
Aqui.
Às vezes sonho que sou poeta.
24.11.2013
sábado, 23 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
A ÁRVORE DO BEM E DO MAL
Breve reflexão
Não é o bem ou o mal que importam. O que importa é o que resulta
do conhecimento do bem e do mal. São duas coisas distintas num só
fruto.
Quer dizer então que comer do fruto, ter conhecimento do bem e do
mal foi tão somente um acidente?
O bem e o mal, há que se concluir, já existiam antes do homem, esta-
vam lá prontos para serem consumidos, ou, melhor dizendo, prontos
para serem "reconhecidos". E o foram, uma vez que isso fazia parte
do plano piloto. O bem e o mal desvendados por um casal de huma-
nos infantis e inexperientes, haja visto, foram enganados por uma
consciência superior, aquela "serpente" que morava nos dois. E agora
em nós todos, de forma duplicada.
Então a árvore do conhecimento do bem e do mal não é simplesmente
uma alegoria bíblica, é uma realidade viva e cruel, plantada em meio
a todos nós e ao derredor de toda a humanidade. O bem e o mal são
um atmosfera e dela respiramos e vivemos. Para o bem e para o mal.
Para o bem ou para o mal.
Somente do conhecimento do bem e do mal é que pode resultar a prá-
tica do bem e do mal. Não fosse o plano ser seguido e o fruto consumi-
do, estariam lá nalgum lugar bem guardados e protegidos os frutos
do bem e do mal. Mas o bem e mal foram feitos para o homem, assim
como o homem foi feito para o mal e para o bem.
23.10.2013
Breve reflexão
Não é o bem ou o mal que importam. O que importa é o que resulta
do conhecimento do bem e do mal. São duas coisas distintas num só
fruto.
Quer dizer então que comer do fruto, ter conhecimento do bem e do
mal foi tão somente um acidente?
O bem e o mal, há que se concluir, já existiam antes do homem, esta-
vam lá prontos para serem consumidos, ou, melhor dizendo, prontos
para serem "reconhecidos". E o foram, uma vez que isso fazia parte
do plano piloto. O bem e o mal desvendados por um casal de huma-
nos infantis e inexperientes, haja visto, foram enganados por uma
consciência superior, aquela "serpente" que morava nos dois. E agora
em nós todos, de forma duplicada.
Então a árvore do conhecimento do bem e do mal não é simplesmente
uma alegoria bíblica, é uma realidade viva e cruel, plantada em meio
a todos nós e ao derredor de toda a humanidade. O bem e o mal são
um atmosfera e dela respiramos e vivemos. Para o bem e para o mal.
Para o bem ou para o mal.
Somente do conhecimento do bem e do mal é que pode resultar a prá-
tica do bem e do mal. Não fosse o plano ser seguido e o fruto consumi-
do, estariam lá nalgum lugar bem guardados e protegidos os frutos
do bem e do mal. Mas o bem e mal foram feitos para o homem, assim
como o homem foi feito para o mal e para o bem.
23.10.2013
CAMINHOS III
Olá, amiga,
Ainda mais uma vez me foi dado escrever-te.
Ainda desta vez venho mais uma vez a você,
Escuta-me:
É madrugada em meus pensamentos
E é madrugada em todas as coisas,
Neste exato momento em que o silêncio dorme
Cães a latir nas distantes distâncias,
Meu pensamento a pensar o que talvez não deva ser pensado,
Ou ainda,
Meu pensamento está a pensar o que não pode ser pensado.
E nestas vezes,
Em que creio estar pensando errado,
Errante me deixo levar pelos caminhos
Os mesmo de sempre
E tantas vezes de outras vezes já trilhado.
As mesmas perguntas em outras transmudadas,
Que em verdade são aquelas mesmas velhas perguntas,
As mesmas de sempre de outra forma perguntada,
E sempre, tanto de um jeito como de outro
Jamais respondidas.
E não contente de buscar o que inexiste,
Ou o que talvez possa existir além do limite,
Escalavro palavras,
Em água e sal lavo cada palavra,
Como se cada palavra fosse exposta ferida,
E a folha de papel em branco por escrever
Da vida o ensaio para o abismo.
E ainda que haja dor neste estar abismado com as coisas,
E minha alma se retorça e soluce o inconsolável,
Ainda que veja com a clareza de um raio de sol perfurando a retina,
Sou como um viajante cego de bússola perdida no deserto,
Em meio ao deserto a me descobrir náufrago de mim mesmo
Oceano.
E de estar assim, em meio ao deserto,
Chove;
Assim como chove lá fora e as águas correm,
Chove ventos de areia em meu pensamento em dentro em mim
E penso,
Um homem pode morrer sufocado por um grão de areia.
E penso em todas as verdades que existem ao meu redor,
E são tantas as verdades,
Tantas e tão verdadeiras quanto no mar e no deserto os grãos de areia.
E nenhuma de todas as verdades me serve agora:
Ainda que meu pensamento,
Forrado de véus e tormentas,
A mim me diga o pensamento:
A resposta certa está num único grão de areia.
22.10.2013**
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