quarta-feira, 31 de julho de 2013

SOMBRA

Mulher de sombras,
Que medo é este que cultivas em  mim?

31.07.2013
OSHO

Tanto falou 
Que li  Osho.
E descobri
Do tantra
O silêncio
Do falo
Do yoni
Do amparo
Da inteira entrega
Do olhar.

Agora quero ouvir 
O silêncio no teu silêncio 
Morando no meu 
Nascendo no teu olhar.

31.07.2013


NOTÍCIA

Não chega a ser ódio.
Ódio é um sentimento nobre.
É um nojo misturado a desprezo.

31.07.2013



  • JORNAL MATINAL

    "Por favor, estrada errada?
    Cuide da sua,
    Vá à merda!
    Não preciso do seu respeito,
    Me esquece".

    31.07.2013



JORNAL DA MANHÃ

Pauta
Soberba arrogância presunção.

Capa
"Senti que era preciso eu fazer isso".

Chamada
"Sempre dividi as pessoas em Sedã e 4x4.
Não sou Sedã e nunca vou ser".

Matéria
A importância do gorjeio no trino dos pássaros.

31.07.2013


JORNAL

Nas manhãs frias de solidão
Ainda bebendo um resto de sexo
A boca num travor de décadas
Pó a se esparramar sobre a carne
Pelo estômago se misturando
A outras comidas e tantas transas
Divino maravilhosas
Sobre os tapetes, os sofás,
As camas, os elevadores,
No metrô, no ônibus,
No carro em velocidade,
Em plena avenida Paulista
Na rampa da garagem do Bradesco,
Sentada pegando o jornal
Nas manhãs molhada lendo poemas bastardos
Igual fosse um jornal onde leio um verso
Em meio à multidão de mim perdido:
"Só para eu saber, quem sou eu? Você ou ela?"

31.07.2013




terça-feira, 30 de julho de 2013

CÁLICE

Parecia tão triste.
Disse que os poemas eram lindos.
Sempre otimista.
Mas como parecia triste.

Eu a amo tanto.
Eu não amo a tristeza
Nem quero vê-la.
Deixou um beijo.

30.07.2013

SÓ FALTA  SÓCIA&CAPITAL

Caraca, minha vida está mudando,
Agora "não vivo de artes só aos domingos";
Aos sábados também.

07.2013

sábado, 27 de julho de 2013

CARTA

A literatura só existe porque há o amor.
Pode ser tão abstrata quanto números
E tão concreta
Quanto a presença
Do ser amado
Ausente.

27.07.2013


   Do que está na memória da carne. E no hoje vive. E pulsa.
    
    27.07.2013
ESTRELA

Quem é esta?,
Do nada e do frio
Surgindo assim
Nua de dar-se
Vestida de paz
Em semblante o olhar presente
A mim me dizendo serena
-Vem, 
Vou mostrar-me 
E mostrar-te.

27.07.2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CARTA

É só literatura,
Meu amor;
Nada menos
Nada mais.
N'aritmética.

26.07.2013

MORCEGO

Dia após dia elas surgem
Em varais virtuais penduradas
Dezenas, desordenadas
Sem sentido, outras línguas,
De todas, -no escuro-
Nenhuma coordenada.

25.07.2013
MEREÇA

Sim, Mereça,
Ainda hei de reclinar-me até teus pés,
Não por humildade,
Que homem que sou teu isto não faria,
Antes,
De joelhos e em amor
Dar-te-ei em tuas mãos o eu que eu sou
E que é só teu.

25.07.2013

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SORTE

Por uma porta aberta
Pode entrar ou sair um cão.

Por uma janela aberta
Uma mosca voando pode entrar ou sair.

Só para isso serve uma porta e uma janela:
Para se abrir ou fechar passagem.

Quanto a deixá-las abertas para a sorte entrar,
Quanta estupidez!,
A sorte não vem de fora,
Se existe,
Já está dentro
Em mim.

24.07.2013
VAZIO

Palavras órfãs de pai e mãe,
Foi o que restou.

Palavras órfãs de amada e amante,
Foi o que restou.

Palavras.
VINHO

A vida não me embriaga.
Só os tolos se deixam embriagar pela vida.
Estar embriagado de vida
É estar ausente na presença dela mesma.
A vida não me embriaga e larga,
Ao contrário,
A vida me é abriga e guarda.

24.07.2013

RASANTE

E que maior sentimento poderia haver?
Que sentimento é maior que o amor?
Se não ousaste tocá-lo
É porque não o merecias.

24.07.2013



FARSA

Era a benção do amor.
Amor a brotar de uma fonte de cores,
Dizia ela, letras jorrando límpidas,
Perfeitas se esparramando ao redor.

Flor, amor e beija-flor
Trinca de rimas pobres igual a,
Leria de quem lê o verso à revelia
E ignora a doença que traz em si
Do baixo ventre o engodo na busca do gozo,
Coração ausente, cabeça vazia.

24.07.2013

UM TOQUE
"...tô precisando de pessoas que não queiram nada de mim..."
    fragmento de um diálogo encontrado numa gaveta virtual

Sim, toda ligação nada valeu.
Vestir a alegria foi a grande farsa.
Então, o que resta?
Pedir socorro e sair em fuga,
Haja visto - e vi!-,
O amor, quando verdade,
É um querer sempre e mais, 
Não cede, não empresta, não dá,
Não cobra, não negaceia, 
Ao contrário, muito ao contrário,
É mais muito, 
Muita e mútua entrega,
Ausência de medo
E mais
Um ao outro mais se precisar.

24.07.2013



PASSAGENS - 2013




Shidon Soares, 58, nascido em Minas, aos 7 em Sampa, aos 10 internado em seminário, aos 14 encerrada carreira rumo ao sacerdócio, expulso, "Miné, você é um vulcão em erupção",
primeira quebra, aí começa (ou continua, como queira), festivais de música, elas, concursos de poesia, secos&molhados, jimi hendrix, fernando pessoa, elas, ditadura, intriga da oposição,"se o governo não se cuidar a coisa vai piorar", 21
asa quebrada,segunda,ventos,vendavais,tempestades, antes dos 30 "reflexos do espelho existencial - poemas do absurdo" l979, "o verbo num tempo de esperança/perdida - poemas do absurdo II" l98l e "jardim das sete luas - poemas do absurdo III" l983, publicados e vendidos de mão em mão nas portas de teatros e bares da cidade; anos 80/90 trabalho em publicidade, recolhimento em família, filhos, filosofia de vida, anos 2000 dedicação integral às artes plásticas,hoje, julho 2013 expõe seus trabalhos aos domingos na feira de artes da praça da república, aos sábados na feira de artes da praça benedito calixto, fala seus versos nos saraus que pipocam pela cidade e faz exposições onde for chamado; fotos de quadros e outros exercícios em www.facebook.com/shidon.soares; 
email: shidon2@hotmail.com
http://shidonsoares.blogsopt.com -Poemas-
http://quadrosdoshidon.blogspot.com -Pinturas-

Breve: lançamento de livro e CD, "Versos Bastardos - Palavras e algum poema".

terça-feira, 23 de julho de 2013

FAXINA

Varro meu quarto
O corredor
A sala,
Varro a cozinha e o quintal.

Junto tudo num montículo,
Sobre o chão abro uma folha de jornal,
Nela despejo a pá e vejo o lixo,
Uma mistura de pó de estrelas calcinadas
E fios de cabelos emaranhados em cascas de carne.

20,23.07.2013



ROTINA

Escuro.
Deito-me em silêncio.
E em sonhos sonho teus gemidos em meus ouvidos.

Levanto-me,
E já calado calo-me,
E ainda que seja dia,
Sol já indo alto alevantado,
É como se em mim fosse noite calada.

18,23.07.2013
DOIS

E o laço que nos prende e ata,
Suave se desdobra, envolve,
Pedaço de sonho que descobre,
Esconde e sobra.

17,23.07.2013
LUME

É dia.
Um sol estrala em minha cabeça
Na mente a exata ausência do que é ausente e não se sente,
Consciência que até segundos atrás eu não tinha.

17,23.07.2013
ORAÇÃO

Antecipo o silêncio que virá,
E mais quieto fico na quietude do porão.
O amanhã despontará,
Serão outros os sóis em chamas;
E nenhum rumor desarmônico haverá .
Sim, melhor ficar quieto qual pedra na curva do rio,
Vendo as águas passarem
E as estrelas se mudando de lugar.

15,23.07.2013
TRÊS

Serás sempre o segundo vértice.

12,23.07.2013
COORDENADA

Interessante.
Acordei e não estavas a meu lado.

Lembrei-me:
Há muito que não dormes comigo.

10,23.07.2013
TEMPO

Toco meu violão,
As mesmas notas
Entre os dedos passando o som,
Teus cabelos já brancos cobertos de tinta negra.

Olho para o relógio branco na estante,
E toda vez
-Que é qualquer hora-,
Nesta exata hora estou lembrando de você.

08,23.07.2013
BEIRA-MAR

De andar, vou beirando a franja do morro,
De bom lugar onde ver o nascer do sol,
E testemunhar a luz se agarrando aos dedos das folhagens,
Árvores gritando pássaros descompassados de vida,
Uma floresta sonora fazendo fanfarra em minha carne.

E sigo a trilha sem importar caminho
E por vezes jogo meu corpo lasso à grama,
De joelhos sugo o orvalho das folhas d'água,
Me inundo de nuvens transparentes do céu azul,
Cheirando a flor do mato como se dela fosse o perfume.

07,23.07.2013

OUTRA

E quando te vi outra vez
Já eras tão outra
Que daquilo que eras eu já havia me esquecido.
Daquela que eras
Daquilo que foste
Nada mais há que possa ser visto e vivido.

06,23.07.2013
PINTURA

É assim que te vejo pintada no azul da tarde,
A franja de luz se derramando entre teus cabelos,
A ponta de teus dedos entre os meus
Em tua face escrita ausência de medos.

04,23.07.2013

ARANHA

Pensar você é pensar uma confusão de teias de aranha.

04.07.2013
ATITUDE

Solene, como se véspera de feriado fosse,
Sento-me à calma e uma nítida impressão:
A de que escreverei um verso,
Um verso definitivo.
E escrevo:
Só.

04,23.07.2013


DESVIO

Porque meu coração,
Esta nave incauta
De novo nas mesmas águas naufraga?

04.07.2013
SOCIAL

Não sou classe a, b, c ou d;
Sou artista de rua.
E só levo a vida na real.

01,23/07.2013
SAL

Você pode abandonar o calendário na parede,
E os vencidos guardá-los dentro de gavetas mofadas,
Mas os dias não deixarão de passar.
É por dentro
De dentro para fora que as coisas se fazem
O amor inclusive
E o rumor das vazantes sem controle montanha abaixo.
Assim se faz, ponto-a-ponto
A linha que desenha o tapete de vestir o espantalho,
Em se sabendo,
Duas coisas o homem não pode:
Encarar o sol
E evitar a lágrima.

01,23.07.2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BATER ASAS

Que destino é esse
Em nenhuma casa nenhum repouso
Em parte alguma um pé que crie raízes
Em nenhum lugar a asa em pouso
Nem fonte para se beber a paz?
Sempre a mesma sensação,
Estão levando a bola embora,
Sabia sempre sei não vai durar
A gente sabe e se conforma
Cedo ou tarde uma coisa substitui a outra.

23.07.2013



INTIMIDADE

Dividimos degraus, mudança, montanha

Ao longe o lugar onde se juntam canoas.
Um sonho antigo por uma nova vida
Sonhar o que afasta o mau agouro.

23.07.2013

POETA

Levantar palavras do barro
E com elas compor linhas
A elas chamar de versos
A quem escreveu-as
A láurea de ser chamado poeta;

Ou a estupidez de
Assim se auto proclamar
Quando em verdade assim não o é
Poeta é quem é poeta e faz
E não quem se faz de.

22.07.2013

domingo, 21 de julho de 2013



MENSAGEM

Vai vento sopra minha canção
Diz a ela que estou com saudade
Do meu canto conta como canto
Só c só conto as horas do dia
Todos os dias
Desde a hora da partida
Desde o instante em que acordo
Até o instante em que vou dormir
Que é quando continuo a sonhar
Em sonho dentro do sonho
Vai vento leva minha canção
Sopra a saudade que sinto dela
Como se dela o nome fosse em mim o tocar
Nome da mais secreta bela melodia
Luz dela derramada o mais belo poema.

21.07.2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

AFETO

Sim, 
Não tenho nada,
Jamais tive nada,
E quando tive, 
Perdi.

Nada tenho pra te dar,
Que não seja um verso
De poesia meu abraço
Agasalho poema
Eu mar em torno de ti
Você, amada
Fuga e chegada
Minha única ilha.

MOEDA

Nem sempre luz cantada em verso no poema é verdadeira.
Nem sempre o nome escrito na carne corresponde à verdade.

15.07.2013

quarta-feira, 17 de julho de 2013

VERSO

Só vou voltar se eu for.

19.12.2012
INÚTIL FARDO
-anima-

Com ele 
Em você
Sigo 
Viagem 
No hoje 
Todo dia
Pensando,

Não se vive de antemão o sonhado,
Nem se come na véspera o que só será fruto amanhã.

17.07.2013

sexta-feira, 12 de julho de 2013

FORTUNA

Não divido não subtraio 
Mago multiplico a soma
Multiplico
Somo
Soma
Somos.

12.07.2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

COBRANÇA

Todas as gavetas de mim abertas.
Logo chegará a madrugada.
Árvores e folhas descobertas.

10.07.2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

FERIADO

Vivendo o que é possível viver.
A luz é sempre sentido de direção.
Muito pouca,
Mar de desperdiçar masturbações.

09.07.2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

O MAR

O MAR

Eu não fiz
       Nada
Preciso.
Eu não tinha
Que fazer nada
Não precisei fazer nada
A não ser olhar o mar
E chorar.

07.07.2013