terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A IDADE DA VELHICE
Divagações da carne

É óbvio que isto é uma daquelas impressões que se se manifestam no
homem quando chegam a uma certa idade. O problema -se é que ele
existe-, é que não consigo vestir a máscara, calçar a carapuça, o jeito
de "ser velho". Apesar da careca, da barriga e pernas delgadas.
Talvez, como sempre, seja uma questão de (i)maturidade. Ou, quiça,
a velhice mesma não chegou, e então estou preocupado à toa. Ou, ainda,
a velhice chegou e dela não me apercebo. Tem outra: pode ser fuga
do que sou em realidade. E tem mais o tal de complexo de Peter Pan.
E outras que haverá quem há de lembrar.
Umas coisa é certa: elas sempre serão mais novas.
Ah, sim, tenho 62. Sessenta e dois. Satisfeita?

19.12.2017


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

ROSA SELVAGEM

Rosa selvagem
Vem comigo
Vamos dançar
Trocar parceria
In loco aqui
Em qualquer lugar
Rosa selvagem\
Eu sou louco
Louco louco por você

Rosa selvagem
Vem comigo
'Bora viajar
Vou mais longe com você
Navegar outro mar
Beber ancorar
Nas águas de outro cais
Rosa selvagem
Eu sou louco
Louco louco por você

Rosa selvagem
Vem comigo
Estrada andar
Quando se anda se cansa
Maior a esperança de chegar
E quando chego
Se estou com você
Qualquer lugar é um bom lugar
Rosa selvagem
Eu sou louco
Louco louco por você.

11.12.2017




segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

COMEMORAÇÃO

Olho para o céu,
E de ver as nuvens vejo
Tão fácil vê-lo,
E melhor que ver, sinto,
As nuvens do céu estão mais doces.

Parecem algodão de açucar candy,
Flocos bordados de alvura sob o pano azul celestial,
Túnica de festa debruada em brocados de ouro e alegria.

Tanta beleza quis saber a razão o motivo,
Fui ver do tempo de espera qual dia e estação,
Logo soube a resposta que o calendário apontava:
Ela está fazendo festa de aniversário dentro do  meu coração.

10/11.12.2017

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

ESTALO

Hoje foi um daqueles dias especiais em minha vida. Foi dia daquela sensação
absoluta e rara, muito rara, extremamente delicada e fugídia, a noção exata de
apreender com precisão o sentido de todas as coisas, inclusive deste universo.
São décimos de bilionésimos de segundo, logo, ainda que ínfima, uma fatia
 desse tempo espaço em que vivemos.
Ao longo da vida já tive -creio que, para mais ou para menos, todos nós o temos-,
outros desses impactantes estalos que impulsionam o viver em busca do Grande
Mistério, que em verdade não é grande nem pequeno, é só um mistério, e o é,
porque desconhecido.
Mas foge. Assim como das outras vezes, fugiu. Mas o senti, está vivo em mim,
aceso em meu espírito feito chama queimando carne viva. Mas fugiu.
Para descrevê-lo, foi como ter a chave que coube com presteza na fechadura,
mas ao giro da primeira volta, a engrenagem emperra, e o que antes era a solidez
abstrata (paradoxo) do pensamento com a certeza da solução do enigma, antes se
transforma outra vez em poeira. E novas interrogações.
Até que venha a haver na sede do pensamento o estalo único, definitivo e por inteiro,
o estalo revolucionário, fruto de todos os estalos anteriores, e que vieram ao
longo da vida em fragmentos de luz despedaçados.
30.11.2017