sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

ESTALO

Hoje foi um daqueles dias especiais em minha vida. Foi dia daquela sensação
absoluta e rara, muito rara, extremamente delicada e fugídia, a noção exata de
apreender com precisão o sentido de todas as coisas, inclusive deste universo.
São décimos de bilionésimos de segundo, logo, ainda que ínfima, uma fatia
 desse tempo espaço em que vivemos.
Ao longo da vida já tive -creio que, para mais ou para menos, todos nós o temos-,
outros desses impactantes estalos que impulsionam o viver em busca do Grande
Mistério, que em verdade não é grande nem pequeno, é só um mistério, e o é,
porque desconhecido.
Mas foge. Assim como das outras vezes, fugiu. Mas o senti, está vivo em mim,
aceso em meu espírito feito chama queimando carne viva. Mas fugiu.
Para descrevê-lo, foi como ter a chave que coube com presteza na fechadura,
mas ao giro da primeira volta, a engrenagem emperra, e o que antes era a solidez
abstrata (paradoxo) do pensamento com a certeza da solução do enigma, antes se
transforma outra vez em poeira. E novas interrogações.
Até que venha a haver na sede do pensamento o estalo único, definitivo e por inteiro,
o estalo revolucionário, fruto de todos os estalos anteriores, e que vieram ao
longo da vida em fragmentos de luz despedaçados.
30.11.2017

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