SEGUNDA PARTE DE "SETE ANOS E DOIS MESES - Depoimento"
Ao que tudo indica, estatística que sou, só vou parar quando morrer, já que está dito, adicta no meu
grau não tem volta, é hospício, cadeia ou caixão. E estou sabendo, na minha condição de mulher sozinha, mais provável a última das três, quem sabe vítima de um estupro coletivo. Se sobreviver, poderei parir um imbecil retardado, filho de pai desconhecido e gerado na força degenerativa da pedra. Tô ferrada.
Meus esquecimentos, distrações, devaneios, erros de direção e julgamento, irritabilidade, mau humor, tudo quanto se refere a desequilíbrio em meu ser eu devo à pedra. Não há nada-nada-nada em mim que a pedra
tenha produzido de bom. Aliás, o que a pedra faz em mim é isso: me reduz a um ser que é nada e que não produz coisa alguma. Todo o meu vazio de alma, todo o meu grande isolamento do mundo e tudo quanto houve de pernicioso e horrendo nestes sete anos e dois meses , eu devo à pedra, e só a ela.
Devo a ela também a completa perda do meu sentido com relação ao prazer, seja na esfera sexual, científica, espiritual ou artística. Todo o gosto da minha vida depende da pedra.Vejo com clareza o fenômeno, aconteceu e está acontecendo comigo, a fumaça contida na pedra se diluiu na minha carne, se apossou da minha mente e transformou meu corpo e minha alma em algo que já não sei mais o que é: sou uma impostura e impostora diante de tudo e todos, não obstante saber que eu mesma criei, essa contraparte, eu a criei e ela é cria minha e da pedra.
E sou eu. Nesta trajetória errática e doida e doída na escuridão da pedra, em nenhum momento tive a chance real de larga-lá. Agora, neste momento, sou testemunha, essa possibilidade existe. Sei, criei condições para que isso viesse a acontecer. Talvez excesso de culpa. Quem sabe a hora do retorno?
Do fundo da minha alma eu sei, é meu desejo parar e retomar as rédeas agora completamente perdidas da minha vida. Ainda que eu seja a própria dúvida com relação ao sucesso desta empreitada, uma coisa há em mim e sei: sete anos e dois meses se foram, sete outros anos virão, e quero que esses próximos sete anos sejam ao menos aproveitáveis. O retorno a mim mesma, a consciência da perda bruta da minha auto-estima, o saber me errada nos atos e nas palavras, a reflexão e a certeza de que o isolamento a que me impus foi somente para dar vazão à necessidade de queimar a pedra. As faltas contra mim mesma, meu exacerbado egoísmo na auto-satisfação deste desejo espúrio, que ao invés de completar, esgota, doentio egoísmo que leva à minha separatividade de todas as coisas, uma vez que tudo o que busco é para auto satisfazer meu desejo de prazer ao fumar a ardente condenação da pedra.
Não ando para frente e nem penso no bem. Só penso o que de ruim possa acontecer e a cada ano a minha vida mais regride sob todos os pontos de vista: familiar, social, profissional, amoroso, sexual. A pedra tira tudo e empobrece de grana, e rouba da minha alma o sopro da vida, é isto o que sinto a cada dia que passa, olhando agora para estes meus sete anos virada na pedra.
E se estou agora sob o protetor teto familiar, logo darei um jeito de me livrar disto,uma vez que na casa da minha família não terei total liberdade de consumir a pedra. E há sete anos e e dois meses, desde a subida daquela ladeira, a pedra está comigo. E dela não abro mão. A ´pedra está em primeiro lugar. Que mãe, que pai o caralho!, o que eu amo é a pedra e o resto que se foda!
Tudo o que quero é me desmanchar num tapete de fumaça feito da pedra da cocaína.
E eu quero é isso da vida, me entregar à pedra até morrer, overdose na cocaína bruta, mergulho na
química que devasta todo o meu sistema feminino intra humano.Só quero fumá-la de todo jeito possível, no cachimbo, na lata, na tampa de alumínio,pura, no mesclado, ah, a única coisa nesta vida que eu realmente sei fazer bem, enrolar um mesclado, ninguém sabe enrolar melhor um mesclado como eu, ah isso eu sei fazer na vida como ninguém, não importa
a hora, o dia ,o lugar, se for para pipar é comigo mesma, a pedra tem o total domínio e controle de mim e eu sei disso.
Faz sete anos e dois meses que eu estou correndo atrás de um jeito de como queimar a pedra. E até agora eu tenho dado esse jeito.
Sete anos e dois meses da minha vida arrastando meus passos atrás da pedra.
E eu penso que é hora de parar.Meus esquecimentos, distrações, devaneios, erros de direção e julgamento, irritabilidade, mau humor, tudo quanto se refere a desequilíbrio em meu ser eu devo à pedra. Não há nada-nada-nada em mim que a pedra
tenha produzido de bom. Aliás, o que a pedra faz em mim é isso: me reduz a um ser que é nada e que não produz coisa alguma. Todo o meu vazio de alma, todo o meu grande isolamento do mundo e tudo quanto houve de pernicioso e horrendo nestes sete anos e dois meses , eu devo à pedra, e só a ela.
Devo a ela também a completa perda do meu sentido com relação ao prazer, seja na esfera sexual, científica, espiritual ou artística. Todo o gosto da minha vida depende da pedra.Vejo com clareza o fenômeno, aconteceu e está acontecendo comigo, a fumaça contida na pedra se diluiu na minha carne, se apossou da minha mente e transformou meu corpo e minha alma em algo que já não sei mais o que é: sou uma impostura e impostora diante de tudo e todos, não obstante saber que eu mesma criei, essa contraparte, eu a criei e ela é cria minha e da pedra.
E sou eu. Nesta trajetória errática e doida e doída na escuridão da pedra, em nenhum momento tive a chance real de larga-lá. Agora, neste momento, sou testemunha, essa possibilidade existe. Sei, criei condições para que isso viesse a acontecer. Talvez excesso de culpa. Quem sabe a hora do retorno?
Do fundo da minha alma eu sei, é meu desejo parar e retomar as rédeas agora completamente perdidas da minha vida. Ainda que eu seja a própria dúvida com relação ao sucesso desta empreitada, uma coisa há em mim e sei: sete anos e dois meses se foram, sete outros anos virão, e quero que esses próximos sete anos sejam ao menos aproveitáveis. O retorno a mim mesma, a consciência da perda bruta da minha auto-estima, o saber me errada nos atos e nas palavras, a reflexão e a certeza de que o isolamento a que me impus foi somente para dar vazão à necessidade de queimar a pedra. As faltas contra mim mesma, meu exacerbado egoísmo na auto-satisfação deste desejo espúrio, que ao invés de completar, esgota, doentio egoísmo que leva à minha separatividade de todas as coisas, uma vez que tudo o que busco é para auto satisfazer meu desejo de prazer ao fumar a ardente condenação da pedra.
Não ando para frente e nem penso no bem. Só penso o que de ruim possa acontecer e a cada ano a minha vida mais regride sob todos os pontos de vista: familiar, social, profissional, amoroso, sexual. A pedra tira tudo e empobrece de grana, e rouba da minha alma o sopro da vida, é isto o que sinto a cada dia que passa, olhando agora para estes meus sete anos virada na pedra.
E se estou agora sob o protetor teto familiar, logo darei um jeito de me livrar disto,uma vez que na casa da minha família não terei total liberdade de consumir a pedra. E há sete anos e e dois meses, desde a subida daquela ladeira, a pedra está comigo. E dela não abro mão. A ´pedra está em primeiro lugar. Que mãe, que pai o caralho!, o que eu amo é a pedra e o resto que se foda!
Tudo o que quero é me desmanchar num tapete de fumaça feito da pedra da cocaína.
E eu quero é isso da vida, me entregar à pedra até morrer, overdose na cocaína bruta, mergulho na
química que devasta todo o meu sistema feminino intra humano.Só quero fumá-la de todo jeito possível, no cachimbo, na lata, na tampa de alumínio,pura, no mesclado, ah, a única coisa nesta vida que eu realmente sei fazer bem, enrolar um mesclado, ninguém sabe enrolar melhor um mesclado como eu, ah isso eu sei fazer na vida como ninguém, não importa
a hora, o dia ,o lugar, se for para pipar é comigo mesma, a pedra tem o total domínio e controle de mim e eu sei disso.
Faz sete anos e dois meses que eu estou correndo atrás de um jeito de como queimar a pedra. E até agora eu tenho dado esse jeito.
Sete anos e dois meses da minha vida arrastando meus passos atrás da pedra.
Versão de 27 de dezembro de 2010, f
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