Eu bem que gostaria de entender
Dos caminhos
Uns estreitos, outros largos
Que ao largo e longo da nossa vida vão se fazendo
Tijolo por tijolo formando aqui e acolá
Além horizontes construções de nuvens brandas;
Mas o que são, amiga,
As palavras?
E a pergunta crua:
-Mas o que são, amiga,
As palavras que brotam do papel e semeiam interrogações
Todas elas o mais delas tão inúteis interrogações?
Palavras que ganham asas e voejam pensamentos
Alcateia de estrelas pálidas no fundo do pano negro do universo
-Vede, algum deus fez tudo isto-
Palavras bailarinas flutuando pelo palco da memória
-Tu te lembras o "somos felizes"?
Entre movimentos de luz e sedas brilhantes
Encastoadas do pó de ouro nascido das fontes límpidas e raras
E únicas de dois corações
Que sentem como quaisquer outros corações
-E quem sabe, com um cadinho só de mais exaltação-
E ainda que seja número-palavra
Sete bilhões de mentes e corações
Num mesmo compasso batendo juntos
Entre nós
Todas
Eu e você
E a mente, amiga, vadia vagueia outros mundos
Outras contas, outras partes, outras faces
E caminhos tripartidos, encruzilhadas
Tão largas asas ao vento
A liberdade me é cara
A liberdade é tão cara
A liberdade, minha cara, é o impossível
De todas as coisas, o improvável
A liberdade, amiga
-Berço do bem e do mal-
Dois caminhos, dois achados
E do outro lado da cordilheira
-Onde, amor?
Onde a liberdade?
Esse sopro que se reparte em dois
Ou mais
E mais
"Tantos Caminhos", amiga
Este o nome da liberdade.
7 de Dezembro de 2010**
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