domingo, 11 de outubro de 2015

FLOR DO BOSQUE


O ar parece ficar rarefeito, as coisas mais brilhantes
E leve a sensação de se estar:
Só de.

Nesses momentos,
Em que mal me percebo é que percebo,
O que tenho feito é lembrar você,
Mesmo que com você eu não tenha nada para lembrar


E é mais que a vontade e o desejo honesto de um beijo por ser dado que jamais foi dado.


E se mais longo do que isso -sempre impreciso verso-,
É mistério
E se não for,
É segredo bordado no globo de gelatina da retina,
Desses que repousam  no fundo do alguidar do coração;
Ou se fala em silêncio como se fosse reza de rosário de palavras.

Ou então eu por não ter o que pensar
Acabo nisso só pensando?,
Que é justamente só pensar em você.

E é tanto e espevitado esse pensar
Que acabo assim pensando o absurdo,
Pensar que você pensa em mim.

Por fim, liquidadas as repetições impróprias do verbo
E feitas as contas finais de tanta pobreza de rima
Melhor me largar nalguma esquina de mim mesmo
E depois a esmo ópio e fumo
Deixar que o pensar se alastre e me invada terra inteira,
Fêmea sonhada.

Ou então:
Como negar ao jardim do meu pensar esse agudo mistério e segredo
-Que o que te conheço é isso, tudo e o todo de ti em mim é mistério e segredo-,
E ainda que tudo seja somente sombra,
E o meu pensar somente sonho,
Como parar de pensar a mais bela flor do bosque o sonho de ser eu em você?

11.10.2015






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