Quando eu fui o que era antes
E vestia calças curtas com marcas de ferraduras,
Tudo à minha volta me parecia ter sentido.
E se alguma coisa não fizesse sentido era porque esse era o sentido da coisa.
Quando eu era criança
Fizesse eu o que fiz e está feito.
Todas as coisas que fiz foram para sempre bem feitas.
Só o que não fiz é que não foi bem feito.
Mas as coisas que fiz e tenho feito em adulto,
Bem, por vezes tenho pensado,
Não havia a noção do ridículo em mim e agora o há.
Mas em criança jamais fui ridículo aos olhos do meu espelho.
Mas agora me olho no espelho e o espelho diz agora o sou,
E isso com a mesma verdade de que um dia fui uma criança,
Uma criança como toda criança deveria ser
E nada mais.
E nem é preciso olhar de novo no espelho para ver isto,
Basta olhar-me à volta e ver bem claro e visto o ridículo.
É que, talvez, em criança eu tivesse o feitiço da tolerância,
Não só para comigo e o que me rodeava,
Senão para o inteiro mundo.
12.10.2015**
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