segunda-feira, 12 de outubro de 2015

CRIANÇA



Quando eu fui o que era antes

E vestia calças curtas com marcas  de ferraduras,

Tudo à minha volta me parecia ter sentido.

E se alguma coisa não fizesse sentido era porque esse era o sentido da coisa.


Quando eu era criança

Fizesse eu o que fiz e está feito.

Todas as coisas que fiz foram para sempre bem feitas.

Só o que não fiz é que não foi bem feito.


Mas as coisas que fiz e tenho feito em adulto,

Bem, por vezes tenho pensado,

Não havia a noção do ridículo em mim e agora o há.

Mas em criança jamais fui ridículo aos olhos do meu espelho.

Mas agora me olho no espelho e o espelho diz agora o sou,

E isso com a mesma verdade de que um dia fui uma criança,

Uma criança  como toda criança deveria ser

E nada mais.


E nem é preciso olhar de novo no espelho para ver isto,

Basta olhar-me à volta e ver bem claro e visto o ridículo.

É que, talvez, em criança eu tivesse o feitiço da tolerância,

Não só para comigo e o que me rodeava,

Senão para o inteiro mundo.


12.10.2015**





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