PCPMC DUPLO COMANDO
Igual quem sai para caçar leões,
Armado saio de casa ao final da tarde,
E enquanto o sol se esconde no poente
Faço a trilha e caminho a passos largos,
Pelo caminho afora ouvindo a trilha sonora
Sirenes soprando aos ouvidos ventos amargos,
Cigarra-sibila a gritar o horror, o horror
Em postas de sangue sobre o asfalto negro derramado,
Partida em fatias e pedaços a paz,
Inutensílios de guerra a reverberar o medo
Balas, fuzis, automáticas, metralhadoras
E nenhum sentido que a morte justifique,
De um lado a lei, do outro lado a miséria
Ao meio a desigualdade a brutalizar os homens,
Aos dois assegurado o mesmo fim e destino,
Covas rasas túmulos corda bamba arrebentada
Entredentes o ódio a mordida a picada lágrimas
Giroscópios oscilando demências e venenos,
A morte sentada à espera nas esquinas
Nos bares, nas vielas e escuras praças,
Sem escolhe morre quem estiver pela frente,
Não importa se culpado ou inocente
Antes e depois da ponte aos pés o abismo se abrindo
E um único saber para os que estão vivos:
-Por baixo de cada cicatriz presente
Há uma ferida pulsando ardente e viva.
As sirenes, gralhas do Apocalipse, grasnam inutilmente.
6/7 de novembro de 2012
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