Para o Augusto
E se eu,
Numa espécie de Alzheimer desconhecido
De mim mesmo houver me desligado
E esquecido perambulasse pelos lugares,
Quiça da Via Láctea Posses Arary Itamogi,
Em que um dia nasci, cresci, envelheci,
Terra, chão sob o qual hei de apodrecer?
[Sinto o cheiro da minha própria carne,
-E não há quem não sinta o próprio cheiro,
Mesmo não tendo faro-,
As células ardendo num burburinho rubro negro,
Vermelho escuro correndo entre as vielas e veias,
Planetas, sóis, estrelas, tantas inumeráveis galáxias,
Artérias lonqinquas chamadas Pedreira, Campo Grande,
Capão Redondo, Piraporinha, Taboão
E a trilha da serra escorrendo pela terra descabelada].
E se eu,
Nalgum dia houver de mim mesmo me esquecido,
E numa espécie de transe estiver
Então como saber
Ainda sou normal
Ou hei de estar enlouquecido?
Quem haverá de
Numa quinta-feira onze da manhã,
Um trem que jamais chegará esperado na estação,
Foram tantas sentado a uma mesa desenhada,
Antes pela luz do sol revelada e a janela
Moldura para uma parede branca coroada pelo céu,
Quem haverá de,
A um horas destas e com um sol deste estar a se perguntar:
-Ainda sou normal ou enlouqueci?
Dirijo minha cabeça para a janela,
E com todos os meus olhos olho,
Como é grande a majestade dos raios de sol,
Como é soberano o se deitar dos raios de sol sobre as coisas,
E ainda mais uma vez penso:
-Enxergar é por efeito da presença da luz.
De olhos abertos e coração desarmado.
6/12/2012**
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