domingo, 3 de março de 2013


CARNAVAL

Estranhos dias.
Sobre os campos de vidro minados
Forrados de plástico e esperma
As cores submergindo pálidas
Horas e dias contados
Navio fora de rota a naufragar
O fim do mundo chegando,
Que antes de acabar mesmo,
Muitas vezes se acabará.

Uma-a-uma as falanges
À luz do meio-dia na rede conectadas
Em fuga no galope das longas noites lancinantes
Longas noites acesas de mares
Riscas brancas brilhantes traçadas
As linhas de cena sobre o palco desenhada
E a mesma cena
A mesma coisa vivida
Na carne reavivada a senha
O choro da criança
O grito animal dos adolescentes na praça de esportes,
Entremeados do latir de cães no cio.

Estranhos dias
Em que a devassidão é idolatrada em altares
Finas lâminas de luz em todos os canais e vias  espelhados
Devassa a contemplar a nudez de si mesma
Escancaradas todas as portas 
Aberto os portos solidões.
Estranhos dias.

19 de fevereiro de 2012

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