A GAVETA
Igual a uma gaveta repleta
Uma só entre tantas outras
Sentado à mesa do meu crânio
Quieta a algazarra do meu coração.
Que tipo de treva eu sou?
Ando pelo mundo há muito
Vejo as chuvas os canteiros
Aqui as nuvens lá o fogo
Fonte de todas as coisas com nome
Bebo na fonte o sopro em palavras.
Em meio à lama adormeço séculos
E cada despertar é um piscar de olhos,
Sombra de luz a me revelar toda forma concreta.
Em que treva me acho agora?
É de manhã cedo
O sol brilha e trinca a terra.
Vestida de calor a semente rebenta
E as montanhas são tão reais que se movem.
Alguém abre a gaveta,
Miríades de seres e palavras em voo.
O que era eu sou
Gaveta vazia
Já não é mais.
22 de abril de 2012
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