domingo, 3 de março de 2013


A GAVETA

Igual a uma gaveta repleta
Uma só entre tantas outras
Sentado à mesa do meu crânio
Quieta a algazarra do meu coração.

Que tipo de treva eu sou?
Ando pelo mundo há muito
Vejo as chuvas os canteiros
Aqui as nuvens lá o fogo
Fonte de todas as coisas com nome
Bebo na fonte o sopro em palavras.

Em meio à lama adormeço séculos
E cada despertar é um piscar de olhos,
Sombra de luz a me revelar toda forma concreta.

Em que treva me acho agora?
É de manhã cedo
O sol brilha e trinca a terra.
Vestida de calor a semente rebenta
E as montanhas são tão reais que se movem.

Alguém abre a gaveta,
Miríades de seres e palavras em voo.

O que era eu sou 
Gaveta vazia
Já não é mais.

22 de abril de 2012

Nenhum comentário: