FEBRE
Arde em chamas
Sedento o corpo sobre a cama
Insone invade a alma a solidão
E uma vontade de estar longe
Só eu
Você
E de passagem o vento.
Ainda que em delírio esteja
E seja este momento mágico
Fosse verdadeiro ou falso
Ainda assim, amada,
Noite e dia até o último dia vigiaria
Para que não te entristeças
E sejam o mundo e as coisas
Coisas tão simples quanto eu e você
E de passagem o vento.
E mesmo que me queime todo em brasa
Ardente febre de quem bebe raro beijo
Ainda assim no perigoso peço
Olhos molhados que embriagam
Beijo de saliva em aguardente
Vem, amada,
Incendeia
Faz de mim um
Teu
Pedaço
De um poema
Um verso
Do teu colo, meu regaço.
Eu
Você
E de passagem o vento.
22 de setembro de 2010
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